O suicídio é considerado um problema de saúde pública, está entre as quinze principais causas de morte no mundo, tendo havido, nos últimos anos, um crescimento expressivo no mundo inteiro, porém ainda há muito tabu sobre esse assunto.

O processo de perda é mais facilmente superado quando a morte é tida como natural, mas no caso do suicídio isto não é observado, visto que se interrompe o ciclo vital, de uma forma violenta e todos que estão envolvidos sofrem suas influencias, não atingindo somente a vítima.

A morte em decorrência de suicídio impactua não só os famíliares, mas também os amigos, colegas de trabalho/escola e pessoas próximas, e os efeitos dessa morte pode perduram por um longo tempo.

O impacto que o suicídio provoca na família vai além do sofrimento individual, da amargura, leva a rupturas de laços afetivos e sociais, podendo provocar isolamento de parentes e amigos. Já os sentimentos que acometem os familiares são principalmente os sentimentos de culpa, vergonha, busca incessante do motivo,sentimento de responsabilidade, raiva, rejeição e abandono, e muita tristeza e sofrimento.

O sentimento de culpa é o que primeiro aflora, seja de forma explícita ou velada. O fato da família não acreditar que o suicídio acontecerá, mesmo tendo havido tentativas insinuadas anteriormente, aflora o sentimento de culpa dos familiares após o suicídio. Acham sempre que poderiam ter feito mais, mesmo, na maioria das vezes, tendo feito tudo que poderiam ter feito.

Outro impacto causado pelo suicídio na família é a vergonha pelo acontecido, principalmente devido o preconceito e julgamento social e ao tabu existente a respeito do suicídio. Esse sentimento pode levar ao isolamento social dos familiares, sendo esse isolamento também provocado pelo fato dos amigos e demais parentes não saberem como agir, como apoiar a familia durante esse luto. Ainda acontece, em muitos casos, da familia ser rotulada de desajustadas, desequilibradas, desestruturas, sem capacidade de amar e cuidar.

O sentimento de raiva também pode acontecer, mesmo que seja negado, esse sentimento acontece pelo fato da família se sentir traída, desprezada, abandonada pelo ente querido, sentem como se a pessoa não tivesse pensado neles e no sofrimento que sua morte causaria em todos.

Quando a morte acontece, não adianta mais falar sobre o que deveria ser feito, sobre a família recai muita perplexidade, dor e sofrimento e em alguns casos, em lugar de se unirem e se apoiarem, os familiares se desintegrar, principalmente quando existem conflitos econômicos e financeiros, podendo ocorrer separações e divócios.

Diante da dor e sofrimento provocada por esse tipo de morte destaco a importância de programas de prevenção e de apoio aos familiares enlutados pelo suicídio, principalmente porque o tema é delicado e sempre tratado com cuidado, reserva ou até mesmo negado.

Devido o sofrimento provocado por esse tipo de morte, em muitos casos, os familiares buscam meios de superar o fato, pela arte, grupos de apoio, religião e apoio profissional (psicoterapia), visando através desses meios encontrar meios para minimizar a dor e superar o sofrimento.

Se você foi impactado pelo suicídio, esta passando por um processo de luto, não exite em procurar ajuda, apoio. Você não está sozinho.

Referências:

BRAGA, Luiza. Lima. AGLIO, Débora. Dalbosco. Suicídio na adolescência: Fatores de risco, depressão e gênero. RS. 2013.

BOTEGA, Neury. José. Et. al. Prevenção do comportamento suicida. v. 37, n. 3, set./dez. 2006. Disponível em: file:///C:/Users/Geane/Downloads/1442-5230-2-PB%20(1).pdf.

FIGUEIREDO, Ana Elisa Bastos et al. Impacto do suicídio da pessoa idosa em suas famílias Ciência & Saúde Coletiva. 2012, v.17, n.8, 2012. Disponível em:< http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232012000800010 >.

MINAYO, M. C. de S.;MENEGHEL, S. N.; CAVALCANTE, F.G. Suicídio de homens idosos no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v.17,n.10, 2012. Disponível em:< http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232012001000016&script=sci_arttext >

Organización Panamericana de la Salud.Prevención del suicidio: un imperativo global. Washington, DC: OPS, 2014.

RENCK, João Samuel; HILDEBRANDT, Leila Mariza. O Suicidio e sua relação com a família. Revisão da Literatura. Revista Contexto & Saúde, Ijuí. v. 5, n. 10, Jan./Jun. 2006.Disponível em:< https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoesaude/article/view/1377>.

http://www.abeps.org.br/posvencao

Gislainne de Araújo Sousa

Psicóloga

CRP 21/03007

Colunista Inovamente Psicologia

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