A adolescência é o ciclo vital de vida que marca a transição entre a infância e a vida adulta. É um momento em que o jovem se vê diante do novo, em relação a si mesmo e em relação ao mundo externo. Profundas transformações físicas e corporais marcam o início dessa fase por meio da puberdade. Essas modificações físicas podem ocorrer de maneira mais rápida para alguns jovens, em outros menos, mas é evidente para todos, sendo um fator que pode causar ansiedade, e em alguns casos afetar os adolescentes com grande intensidade.

As profundas transformações orgânicas, psicológicas, sociais que acontecem simultaneamente, conferem grande complexidade ao processo do adolescer. Os jovens passam a ter um maior número de tarefas a cumprir, assim como vivenciam o processo de construção da própria identidade, por meio de uma reconfiguração com suas figuras parentais e da busca por uma nova inserção em ambientes sociais mais amplos. Fator que faz com que os adolescentes estejam expostos a um complexo processo de mudança e incertezas, que pode ser agravado quando são associados comportamentos de risco. Nesse sentido, especialistas da área consideram a adolescência como um contexto de vulnerabilidade.

Vulnerabilidade psicológica é a predisposição de um indivíduo para adoecimento psíquico e a dificuldade para manter a estabilidade emocional e responder de modo eficaz em situações de crise.

Quanto aos aspectos psicológicos e expressão das emoções, as meninas tem uma tendência maior a desenvolverem quadros depressivos, enquanto rapazes apresentam uma tendência maior para a impulsividade.

Em meio a tantas mudanças e novas situações para lidar, muitas vezes os adolescentes não compreendem o que esteja acontecendo consigo mesmos e podem adotar medidas que os coloquem em situações de risco.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a incidência de suicídios entre adolescentes cresceu 10% de 2002 para hoje. A incidência de morte por suicídio entre adolescentes sempre foi alta, mas vem crescendo muito nos último anos.

A nível mundial estima-se que 300 milhões de pessoas sofram de depressão, sendo que de 10 a 20% sejam crianças e adolescentes. No Brasil estima-se que 11 milhões de brasileiros sofram com esse transtorno, e muitos quadros depressivos podem ter início na infância e adolescência, aumentando o risco do desenvolvimento secundário de problemas associados ao uso de álcool e drogas entre adolescentes. Ainda assim, é muito grande o estigma em torno dos transtornos mentais e se faz necessária a abertura para compreender o significado e funcionamento desses quadros, falar sobre eles e dar apoio para os que sofram com esse problema.

É importantíssimo que fiquemos atentos às falas dos adolescentes e na expressão de seus anseios e incômodos, assim como em alterações comportamentais significativas, como por exemplo nos padrões de sono e alimentação, alterações de humor, isolamento. O que para muitos pode parecer “coisa normal de adolescente”, na verdade pode ser a manifestação de um problema e um pedido de ajuda em relação a uma dificuldade e/ou conflito que não estejam conseguindo dar conta sozinhos, o que coloca em jogo ansiedade, angústia e sofrimento psíquico.

A afetividade, elemento fundamental tanto na construção de vínculos dentro família, como para o desenvolvimento individual dos indivíduos, é determinante em momentos como estes. A adolescência é um ciclo vital de vida que requer que o vínculo formado entre filhos e pais na infância, seja reconfigurado e que por meio da comunicação, seja fortalecido.

Nos momentos em que um adolescente passa por dificuldades, se faz necessário um olhar atento o suficiente para detectar que algum problema mais sério pode estar acontecendo e uma boa comunicação para compreender o nível de angústia que está em jogo em relação àquela dificuldade que se apresenta. A presença consistente das figuras parentais é um importante fator de proteção nesta fase de vulnerabilidade em que os adolescentes se encontram.

A adolescência é um concepção da Idade Moderna, antes disso os indivíduos passavam da infância para a vida adulta. Não existia demarcação da transição entre essas duas fases do desenvolvimento. Passada a fase de dependência das crianças em relação as figuras parentais, tornavam-se adultos. Inclusive as pinturas da Idade Média retratavam crianças como miniaturas de adultos.

Foi a partir da metade do século XIX, na sociedade ocidental, que a adolescência passou a ser compreendida de modo particular e como uma fase do desenvolvimento humano, sendo no século XX reconhecida como tal e retentora de um estatuto legal e social, o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.

A família desde então também vem passando por um processo de intensas transformações econômicas, culturais e sociais. A urbanização, o avanço tecnológico, a inserção da mulher no mercado de trabalho, a competitividade do mercado de trabalho, o empobrecimento acelerado, as transformações nos modos de vida e nos comportamentos das pessoas, as alterações nos papéis das figuras parentais e novas concepções de casamento, marcam as novas construções sócio-históricas em torno da família e consequentemente marcam também o desenvolvimento individual das pessoas. A contemporaneidade marcada pela imprevisibilidade e pela dissolução de certezas, tem provocado uma sensação de desamparo coletivo que acomete a muitos adultos, e também aos adolescentes.

Nesse sentido, o adolescer é um desafio para todos nós. Toda a pluralidade da vivência deste processo nos dias atuais, requer de nós a sensibilidade de oferecer o espaço necessário para que os jovens construam sua própria identidade, escolhendo por si mesmos a sua forma e lugar de inserção social em meio a toda a essa diversidade, de modo a serem os protagonistas neste processo e de sua história. Mas pede também a nós mais tempo (e de qualidade) para estarmos com eles, para quando necessário darmos sustentação e sermos auxiliares neste processo de tantas e profundas mudanças pelos quais os adolescentes passam.

Até a próxima!

Tatiana Haidar Pacífico
Psicóloga CRP: 06/87752
Contato: (11) 9 6182.2079
E-mail: contato@tatianapacificopsicologa.com.br
Site: https://tatianapacificopsicologa.com.br/sobre-tatiana/
Facebook: https://www.facebook.com/tatianapacificopsicologa/

Referências Bibliográficas:

MICHELI, Denise De; SILVA, Eroy Aparecida. Adolescência, uso e abuso de drogas: uma visão integrativa. São Paulo: Editora Fap-Unifesp, 2011.

Organização Mundial de Saúde – http://www.paho.org/bra/

http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/48970

 

 

Comentários do Facebook
Postado em , Blog, Psicologia, Reflexão e marcada , , , , , , , . .

Deixe um comentário

Site de Psicologia
%d blogueiros gostam disto: