As mudanças psicológicas na adolescência

A adolescência é uma fase de vida de extrema importância no desenvolvimento e processo evolutivo de todo ser humano. Ela representa a transição da infância para a vida adulta.

É uma fase em que profundas transformações fisiológicas, psíquicas e sociais acontecem.

As principais tarefas a serem cumpridas pelo adolescente são: a construção da identidade, da autoimagem e do papel social.

É na adolescência que a capacidade de pensar abstratamente é adquirida. Até os 9 ou 10 anos de idade a criança possui o raciocínio concreto e no desenvolvimento psicoemocional que se dá na puberdade a capacidade de pensar de modo mais complexo começa a se desenvolver.  Com a aquisição da capacidade de fazer julgamentos, o adolescente passa a fazer interpretações da realidade e experiências que vivencia. Esta habilidade interpretativa fascina o adolescente, e explica porque muitas vezes eles ficam distraídos, parecendo distantes.

Por exemplo, se uma criança recebe uma negativa de um amiguinho em um convite para brincar, processará a informação e tende a aceitá-la mais facilmente, enquanto o adolescente ao passar por uma situação semelhante de negativa por parte de um amigo, vai refletir e construir interpretações para esta situação a partir de suas referências e do que ouviu de outras pessoas em suas experiências sociais, e poderá construir a interpretação, por exemplo, de que foi rejeitado numa situação como esta.

Na adolescência as estruturas responsáveis pela percepção temporal, ainda estão em desenvolvimento, o que explica o imediatismo tão presente nesta faixa etária e a intensidade como vivem o presente. Adolescentes vivenciam as experiências de modo intenso, focado no presente, pois o passado já foi a muito tempo e o futuro está muito longe, sendo assim emoções podem ser sentidas de forma muito intensa. Se brigam com um colega, tendem a sentir intensamente a dor e dizerem que nunca mais falarão com ele, que a relação chegou ao fim, e naquele momento um dia pode parecer uma semana, uma semana pode parecer um mês, mas na semana seguinte tudo se resolve e este sentimento fica num passado já muito distante.

Adolescentes diante da ambígua manifestação de mais de um sentimento ao mesmo tempo, podem se sentir confusos. Uma experiência nova, como por exemplo ir a um aniversário ou festa pode o deixar feliz com a novidade, mas também inseguro por sentir que tenha controle sobre a situação e neste momento a presenta do grupo de amigos importante, pois lhe confere maior segurança diante do desconhecido.

A forma como os adolescentes passam por todas essas modificações físicas e psíquicas é bastante singular, alguns podem atravessar estas etapas sem grandes complicações, enquanto outros podem enfrentar maiores dificuldades diante desses novos elementos e situações que se apresentam, vivenciando “crises” neste processo. Ainda assim, o esperado é que após feita a adaptação de um novo elemento quem seu processo evolutivo, se reequilibrem.

Adolescentes oscilam emocionalmente. Conforme vão amadurecendo, tendem a abandonar os pensamentos infantis, mas estes podem reaparecer quando os adolescentes se encontram sob forte tensão. Quando e sentem inseguros ou ameaçados costumam responder agressivamente como forma de defesa. Eles possuem grande vitalidade e precisam extravasar toda essa energia, quanto mais resistência encontrarem no ambiente, mais tenderão a ser agressivos. A tranquilidade do ambiente em que vivam e a disponibilidade de atividades e meios de canalizar sua energia, favorece que vivenciem esta etapa da vida mais tranquilamente.

A busca pela construção da própria identidade, assim como as intensas transformações corporais e psíquicas podem gerar várias dúvidas e constrangimento nos adolescentes, que tem a percepção de que o mundo percebe essas mudanças, o que pode precipitar diversas “crises”.  Mas essas “crises” são temporárias, adolescentes vivenciam intensamente os sentimentos de tristeza ou angústia por conta de uma situação específica, mas o natural é que em dias passe.

Alguns adolescentes diante de problemas, dependendo de algumas caraterísticas psicológicas que possuam, podem necessitar receber um suporte maior por parte de nós adultos. Um adolescente mais inseguro, por exemplo, pode enxergar um problema com proporções maiores do que ele de fato representa, pode inclusive ter a percepção de que por que possui um problema, ele é uma pessoa problemática. Em situações como essas, dialogar com o adolescente sobre o fato de que todos nós podemos apresentar dificuldades ao longo da vida, favorece o entendimento sobre a natureza humana, passível de falhas, anseios, medos e fragilidades e que consigam se enxergar além do problema, transpondo as dificuldades e fortalecendo sua autoconfiança.

Adolescentes tem uma grande vitalidade, física e psíquica e não é natural que estejam frequentemente tristes e isolados. Caso essas manifestações sejam recorrentes, é indicado que se procure por atendimento especializado.

Riscos para o uso de drogas entre adolescentes

Buscando descobrir quem são, os adolescentes buscam experimentas coisas novas, ele vai em busca de novas referências no mundo externo para constituir-se enquanto indivíduo. É a fase da experimentação, da novidade, são atraídos por tudo o que é novo. Movidos pelo sentimento de onipotência que possuem, “Ninguém manda em mim!”, próprio desta fase, sentem-se encorajados nessa experimentação, como se nada de ruim pudesse lhes acontecer, um dos fatores que confere vulnerabilidade a esta etapa da vida, porque na ânsia de conhecer o novo, o adolescente pode expor-se a riscos, como por exemplo o uso de drogas.

Para conquistar sua própria identidade e independência o adolescente experimenta diversos comportamentos e atitudes. Essa busca não reflete somente o seu desejo de ser reconhecido pela sua identidade própria e diferente de seus pais, mas também o seu desejo de ser reconhecido pela sua autonomia, como adulto. Para isso ele busca outras referências de adulto, questiona, adapta e principalmente se baseia nos comportamentos e atitudes dos amigos. A influência dessas referências no adolescente vai depender em maior ou menor grau de características da sua própria personalidade, ainda em transformação, tornando-o vulnerável.

No que tange às influencias do meio social, vivemos em uma sociedade que estimula fortemente o consumo. Todos nós sofremos influências deste padrão de consumo excessivo, porém adultos por já possuírem suas referências já estabelecidas, não são tão afetados por estas influências. Adolescentes se encontram conforme já foi dito, em fase de experimentação, de busca pelo novo, e acabam funcionando como esponjas de todas essas diversas ofertas de moda, bens de consumo, músicas e lazer.

O consumo excessivo e indevido de medicações e a cultura de buscar beleza, rejuvenescimento, sono tranquilo e soluções mágicas para os problemas, através de pílulas mágicas, estimula que os jovens assimilem que estas sejam realmente soluções eficazes para os problemas.

No que se refere ao consumo de drogas, a oferta e a disponibilidade é grande, e o consumo de algumas delas é incentivado culturalmente e através de rituais festivos, como no caso de drogas lícitas, como o álcool. As políticas de controle de venda e consumo para menores são ineficazes, fator que contribui consideravelmente para o consumo precoce de álcool e nicotina entre adolescentes. A maconha também está inserida dentro de um contexto cultural e específico de consumo e a experimentação entre jovens é bastante frequente.

Do uso experimental, até o uso abusivo existe um transcorrer, e alguns fatores interagem neste processo, como fatores individuais e ambientais.

Adolescentes que apresentem caraterísticas pessoais como timidez ou insegurança, apresentam mais riscos de passarem de um uso experimental para o uso frequente e nocivo, o que pode acarretar diversas complicações em seu processo de desenvolvimento psíquico, físico e social, tema extenso e importante que posteriormente será abordado em outro artigo, aqui no Blog.

Algumas características psicológicas como a insegurança, a insatisfação e não realização pessoal com suas atividades, a impulsividade e baixa tolerância à frustração também são fatores que predispõem jovens ao uso de drogas.

As crises de angústia e humor depressivo também são considerados fatores que deixam o adolescente mais vulnerável ao uso de drogas. Da mesma forma como foi já exposto, na lógica de fazer uso de soluções mágicas (e químicas) podem fazer uso de álcool e drogas para anestesiar as emoções dolorosas e o sofrimento.

Mas dentre todos os riscos, a maior vulnerabilidade do adolescente para o uso de álcool e drogas é o sentimento de não pertencimento.

O adolescente que não consegue se destacar em nenhuma das atividades que faça, seja na escola ou nos esportes, ou que não se vê sendo reconhecido enquanto indivíduo que contribui e que é reconhecido e valorizado no ciclo de amigos, ou no seio familiar, pode procurar ser reconhecido e (visto) mesmo que de forma negativa. Seja produzindo comportamentos opostos daqueles que deseja realizar ou admira. Pode até vir a ser a “ovelha negra”, que por mais que contrarie as regras, é olhado pelo outro de alguma forma. Um jovem que sinta-se desvalorizado em seu ambiente de convívio pode buscar através do uso de drogas, unir-se a um grupo de pessoas que também o façam e construir sua identidade grupal junto a eles, buscando construir este sentimento de pertença neste grupo.

“A falta de sentimento de pertença corrói um indivíduo,

destrói a sua autoestima e dificulta a construção de laços afetivos” (Scivoletto, S. , 2011).

O sentimento de pertença é condição fundamental para a saúde mental de todo ser humano.

Como disse Augusto Cury em sua obra que trouxe através do cinema uma grande contribuição no que se refere a importância do sentimento de pertença:

 “O ser humano não morre quando o coração para de bater, morre quando, de alguma forma, deixa de se sentir importante”

Frase retirada do filme “O Vendedor de Sonhos” de Augusto Cury.

Até mais!

Tatiana Haidar Pacífico
Psicóloga CRP: 06/87752
Contato: (11) 9 6182.2079
E-mail: contato@tatianapacificopsicologa.com.br
Site: https://tatianapacificopsicologa.com.br/sobre-tatiana/
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Referência Bibliográfica:

MICHELI, Denise De; SILVA, Eroy Aparecida. Adolescência, uso e abuso de drogas: uma visão integrativa. São Paulo: Editora Fap-Unifesp, 2011.

 

 

 

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