A alienação parental refere-se a interferência na formação psicológica da criança ou adolescente, em que o pai, a mãe, avós ou responsável, busca manipular e, por vezes, romper os laços afetivos da criança com um dos genitores. Em agosto de 2010 foi sancionada a lei nº 12.318 – Lei da Alienação Parental, que prevê medidas, desde acompanhamento psicológico, aplicação de multa, e alguns casos, pode ocorrer a perda da guarda da criança.

É importante distinguir Alienação Parental da Síndrome de Alienação Parental (SAP- proposta por Richard Gardner no ano de 1985), sendo esses conceitos semelhantes, porém com significados diferentes. A primeira é o distanciamento do filho de um dos genitores, provocado pelo outro; enquanto, a segunda, faz referência as consequências emocionais e comportamentais que vem à surgir na criança (Fonseca, 2006).

São muitos os motivos que levam a prática da alienação. Os mais observados são em casos de separação e divórcio que existe a disputa pela guarda dos filhos, onde por dificuldade de um dos cônjuges de aceitar o término da relação, usa a criança como uma maneira de manter o relacionamento mesmo que por conflitos ou desejo de vingança. A alienação, segundo Oliveira (2014), ocorre porque as relações se baseiam em afeto e companheirismo, e quando esses laços são rompidos, por algum motivo, pode causar perturbações emocionais em um dos cônjuges, desencadeando o processo de vingança.

Para identificar um genitor alienante é possível observar algumas condutas, tais como: busca denigrir a imagem do outro genitor; não comunica acontecimentos importantes dos filhos (adoecimento, rendimento escolar, compromissos…); toma decisões importantes sem conversar primeiro com o outro progenitor; apresenta um novo companheiro como sendo seu pai ou sua mãe; controla demasiadamente os horários de visita; usa o(a) filho(a) para saber tudo sobre a vida do outro; tenta agradar sempre mais o(a) filho(a), buscando dar principalmente mais presentes que o outro genitor; entre outros.

Já para identificar uma criança que está passando por alienação é preciso ficar atento em sintomas, como: ausência de culpa em relação a crueldade e à exploração do progenitor “alienado”; ausência de ambivalência, um é muito bom e o outro ruim; busca argumentos irracionais para não ficar perto do pai ou da mãe (do progenitor alienado); tem uma postura de rejeição e afirmam não sofrer influência do alienador, nesse mesmo contexto tem argumentos que parecem ensaiados (frases, palavras que não pertence a linguagem infantil); tem o conhecimento de informações desnecessárias e impróprias quanto ao processo de separação dos pais; mostra uma dramática sensação de muito urgente ou muito frágil; entre outros.

Em suma, é de grande importância que as pessoas tenham conhecimento sobre o assunto para reconhecer e entender caso algum conhecido esteja passando por isso. Sabemos que um rompimento conjugal não é fácil e provoca mudanças inevitáveis na vida de todos os envolvidos. Contudo, as crianças e os adolescentes, não podem e não devem responder pelas decepções de um casamento malsucedido. Para uma melhor condução da situação, procure ajuda de um profissional especializado.

Referências:

Oliveira, A. C. G. (2014). Síndrome da alienação parental e atuação do psicólogo educacional/escolar. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, PB.

Fonseca, P. M. P. C. (2006). Síndrome de alienação parental. Pediatria (São Paulo), 28(3),162-8.

Emanuele Deon Lunkes
CRP 07/26783
Psicóloga Clínica
Colunista Inovamente Psicologia
Contato: (54) 99633-4933
E-mail: emanuelelunkespsico@gmail.com
facebook.com/psicoemanuele

Comentários do Facebook
Postado em , Blog, Psicologia e marcada , , . .

Deixe um comentário

Site de Psicologia
%d blogueiros gostam disto: