Ao ler o livro Levados da Breca, de Marco Arruda, que fala sobre o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade -, encontrei esta frase “Pills don´t teach skills”, que em Português significa “Medicamentos não ensinam habilidades”.

Esta ideia vem ao encontro de muito do que tenho visto na clínica e em muitas conversas informais. Estamos numa era onde não gostamos de sentir dor, seja ela física ou psicológica. Se é que posso falar de era, pois acredito que praticamente ninguém gosta de sentir dor. Porém, muitos depositam todas as suas esperanças, anseios e forças nas medicações (seja para si mesmo ou para filhos e parentes).

Não podemos negar o efeito positivo trazido pelos medicamentos em muitas das situações de dor. Na clínica, muitos pacientes só conseguem iniciar ou mesmo manter o tratamento (e começar a perceber o efeito do mesmo em suas vidas) após estarem corretamente medicados, tendo em vista que antidepressivos, estabilizadores de humor, dentre outras medicações colaboram com o tratamento psicológico de muitos transtornos.

Porém, retomo o título desta postagem. “Pills don´t teach skills”.

Em geral, a dor de cabeça “normal”, “simples”, passa depois que tomamos um analgésico, como o paracetamol; mas, no caso de uma dor de cabeça crônica, o uso de analgésicos só tende a mascarar o quadro, sem que haja uma resolução de fato.Com isso, a busca por um especialista se faz necessária para que a gente não fique tentando “tapar o sol com a peneira”.

O que venho a mostrar nesta postagem é que o uso de medicação para o tratamento de transtornos psicológicos, é bem relevante; entretanto, condicionar as melhorias apenas ao uso destes não é algo tão producente.

Quem tem dor, tem pressa.
Mas nem tudo se resolve de uma hora para outra.

O medicamento não é mágico e a psicoterapia também não. Ambos implicam em investimento financeiro e comportamental, no sentido do paciente se comprometer a frequentar a terapia e tomar a medicação de acordo com a prescrição médica.

Sendo assim, entender que terapia e medicação (quando necessária) são complementares já é grande parte do processo de melhorias na vida do paciente.

Kimura (2005) mostra que a medicação pode ser utilizada como meio de camuflar, não apenas as inquietações do mundo interno do sujeito, como também fatores sociais.  E percebemos esta tentativa na utilização indiscriminada de muitos remédios, como os antidepressivos.

Alguns dos quadros de ansiedade necessitam de medicação; porém, esta não trará em sua bula formas de pensar e de se comportar frente a algo que gere ansiedade. Na terapia e, mais especificamente na Terapia Cognitivo Comportamental – abordagem em que atuo na clínica -,  por outro lado, existem técnicas que são ensinadas ao paciente a fim de ele lide com a ansiedade, de forma a gerar novas possibilidades frente ao que vem causando a dor ou a queixa do paciente.

Considerações finais:

#1 Muitos transtornos  necessitam de intervenção medicamentosa para que ocorram melhorias.

#2 A utilização de medicamento deve ser feita após prescrição médica.

#3 Psicólogo não pode receitar remédios!

#4 A terapia contribui para o autoconhecimento e para compreender a queixa do paciente, buscando melhorias na qualidade da vida do mesmo.

#5 Tanto a terapia quanto o uso da medicação requerem tempo e paciência por parte do indivíduo. Não existem poções mágicas. Ambas fazem parte de um processo.

Caso você tenha ficado com alguma dúvida em relação a este texto, envie sua pergunta ou seu comentário.

Até a próxima,

Grazielle dos Santos Barbosa de Jesus
Psicóloga Cognitivo Comportamental – CRP 05/46825
Blog: http://sobreviver.blog
Facebook  @pensandosobreviver
Instagram: @psicologa.graziellejesus / @sobreoviver
Email: psi.graziellejesus@gmail.com

Referências bibliográficas:

ANGELOTTI, Gildo. (org). Terapia Cognitivo Comportamental para os transtornos de ansiedade. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

ARRUDA, Marco. Levados da Breca. 2006.

KIMURA, Adriana. Psicofármacos e Psicoterapia: a visão de psicólogos sobre medicação no tratamento. Disponível em: http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/220.pdf

 

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