Resumo: O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um transtorno do neurodesenvolvimento que tem como principais características a presença de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade- impulsividade. Esse artigo apresenta uma revisão de literatura sobre a importância da avaliação neuropsicológica em crianças com TDAH, a fim de um melhor entendimento do diagnóstico e planejamento de intervenção adequada, pois ainda nota-se uma grande procura por atendimentos em crianças com diagnóstico de TDAH não confirmados após avaliação.  Foi realizada pesquisa nas bases Scielo (Scientific Eletronic Library Online), PePSIC (Periódicos Eletrônicos de Psicologia), PubMed e Lilacs. Os resultados alcançados mostram uma necessidade de maiores a necessidade de critérios cada vez mais favoráveis na avaliação, assim como mais estudos para padronização na população brasileira.

Palavras-chave: TDAH, Avaliação Neuropsicológica, criança, diagnóstico.

 

Introdução

A avaliação neuropsicológica tem como objetivo estudar as relações entre a atividade cerebral, cognição e o comportamento (Lezak, Howieson & Loring, 2004).  É um processo psicodiagnóstico que tem como base a analise funcional dos processos cognitivos e a compreensão de possíveis alterações ou prejuízos. A avaliação neurológica infantil abrange aspectos do desenvolvimento cognitivo, que é fundamental para auxiliar na definição de quadros clínicos na infância, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que tem como principais características a presença de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade. Desatenção e desorganização envolvem incapacidade de permanecer em uma tarefa, aparência de não ouvir e perda de materiais em níveis inconsistentes com a idade ou o nível de desenvolvimento. Hiperatividade e impulsividade têm como característica atividade excessiva, inquietação, incapacidade de permanecer sentado, intromissão em atividades de outros e incapacidade de aguardar – sintomas que são excessivos para a idade ou o nível de desenvolvimento. O TDAH costuma persistir na vida adulta, resultando em prejuízos no funcionamento social, acadêmico e profissional. (Manual Diagnóstico e estatístico de transtornos Mentais, DSM V, 2012)

O objetivo desse estudo é fazer uma revisão de literatura sobre a importância da avaliação neuropsicológica em crianças para a investigação de TDAH.

Método

Foi realizada uma pesquisa para revisão de literatura com a finalidade de levantar estudos que abordassem a importância da atenção na avaliação neuropsicológica em crianças com TDAH. A partir da questão sobre a importância dessa temática, foram localizados artigos científicos nas bases Scielo (Scientific Eletronic Library Online), PePSIC (Periódicos Eletrônicos de Psicologia), PubMed e Lilacs, com utilização das palavras chave :TDAH, avaliação neuropsicológica, criança e diagnóstico. Os artigos que mencionavam o transtorno em adultos foram excluídos, chegando assim a seleção de 7 artigos, sendo os critérios de inclusão aqueles que abordaram a avaliação neuropsicológica em crianças, apontando a necessidade da reflexão de uma avaliação de confiança e eficácia para assim, chegar ao diagnóstico.

Os artigos selecionados foram analisados de maneira integral, considerando: ano de publicação, objetivo e tipo do estudo.

 

Resultados

Foram resultantes da pesquisa sete artigos de revisão, selecionados entre os anos de 2007 e 2016, que atenderam de elegibilidade para esse estudo, representados na Tabela 1. Quanto ao objetivo dessa revisão, que abordou a importância da avaliação em crianças para o diagnóstico correto de TDAH, entre os artigos revisados constatou-se que ainda faz-se necessário maior entendimento e estudos nos critérios para avaliação de TDAH, pois os resultados encontrados até o momento apresentam variações nos diagnósticos, sendo pouco significativas para chegar-se a padronização, principalmente da população brasileira.

Tabela 01: Analise dos artigos

Discussão

 

O objetivo desse estudo é fazer uma revisão de literatura sobre a importância da avaliação neuropsicológica em crianças para a investigação de TDAH.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um dos três transtornos mais comuns na rotina de profissionais da saúde como médicos, pediatras e psicólogos (Althoff, Rettew & Hudziak, 2003), está presente entre 3 e 6 % da população infantil, sendo que os sintomas se iniciam na infância e persistem na adolescência e na idade adulta em um número bastante razoável dos casos (Biederman, 2005).  Muitas dessas crianças que chegam para atendimento clinico já se apresentam com o diagnóstico de TDAH, que em muitos casos não está correto, por isso a necessidade de estudo e reflexão sobre o processo de avaliação.

A avaliação do TDAH envolve além da metodologia, uma necessidade de experiência clínica, pois é diferente de diagnósticos mais precisos, onde não há testes físicos, neurológicos ou psicológicos que possam comprovar a presença de TDAH na criança, sendo que o transtorno pode ser atribuído a uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais (Bolfer, C.P.M.2009), sendo compreendido como um quadro decorrente de um padrão acentuado de desatenção, hiperatividade e impulsividade, que causam prejuízos nas crianças e nas pessoas ao seu redor. (American Psychiatric Association, APA, 2013), porém essa tríade não costuma afetar igualmente todas as crianças.

O Manual de Diagnósticos dos Transtornos Mentais (DSM V) propõe como critério diagnóstico que, pelo menos seis sintomas elencados na tabela 2 devem persistir por seis meses ou mais antes dos doze anos de idade, deve também estar presente em dois ou mais contextos, apresentar prejuízo significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional. Alem disso, os sintomas não devem ser secundários a outros quadros de transtorno.

Tabela 2. Critérios Diagnósticos para Diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade

Além dos critérios acima, é preciso uma investigação clinica detalhada que envolve entrevistas com a família e criança, investigação do funcionamento escolar, uso de testes psicológicos, escalas e questionários, revisão do histórico médico, psicossocial e familiar, com o principal objetivo de uma avaliação ampla que possa determinar a presença ou não do transtorno e assim elaborar uma intervenção adequada. (Calegaro, 2002). Para diminuir o impacto na qualidade de vida dessas crianças, é necessário que os profissionais da educação também estejam preparados para essa avaliação e reabilitação. Todos os envolvidos precisam realizar atualizações constantes sobre o transtorno, tanto dos aspectos comportamentais quanto biológicos, pois a relação entre o físico e o emocional podem ser fatores de risco no padrão do comportamento (Santos, L.F. &Vasconcelos, 2010).

Conclui-se que a avaliação neuropsicológica bem criteriosa, com uso de escalas e testes neuropsicológicos é a opção bastante favorável, pois fornecem resultados para o melhor entendimento do diagnóstico e para o planejamento de intervenção adequada. Ainda assim, faz-se necessário mais estudos para padronização na população brasileira.

 

Psicóloga Marcela Patrícia de Almeida
Colunista do Inovamente Psicologia
Realiza atendimento Clínico, Orientação Profissional e Avaliação Neuropsicológica
Contato: marcela.almeida.esv@gmail.com
Celular: (11) 99685-4197 (tim)

Referências

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Alves, R.J.R. (2015): Compreensão e avaliação do TDAH: possíveis interlocuções entre as abordagens neuropsicológica e analítica comportamental. Disponível em: Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva.

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