Início da vida escolar de nossos filhos… Quem já passou por aquele momento onde as crianças choram nos primeiros dias de aula? Angustiante, não é mesmo? Vê-los chorando pode dar vontade de pegar eles no colo e levar de volta pra casa.

A adaptação escolar na educação infantil faz parte de um importante momento para as famílias.

É normalmente a primeira experiência de socialização da criança e também um delicado processo de separação dela de seu núcleo original (sua família).

Essa situação gera uma série de sentimentos, que vão desde a angústia da separação vivida pela criança, até a ansiedade e o medo dos pais sobre a reação do (a) filho (a) ao novo ambiente.

Tanto a criança como a mãe precisam de tempo para viver suas novas experiências (e as pessoas da escola, bastante paciência), para que possam ajudar tanto as crianças como os pais, sendo firmes, mas que não os condenem por sentirem os difíceis sentimentos que experimentam. Assim tanto as crianças como seus cuidadores terão oportunidade de elaborar a separação no ritmo que suportam.

Nós, os pais, podemos ter a sensação de que as crianças ainda estão pequenas para passar por novas experiências. Antes de ir para a escola seguia uma rotina onde os sons, cheiros e formas de contato eram familiares.

Mas acredite, essa rotina junto aos cuidados que recebeu desde seu nascimento, lhe deram segurança e capacidade de adaptação que, pelo próprio amadurecimento, vai exigindo novas vivências e experiências.

Winnicott diz que a criança experimenta vários sentimentos contraditórios quando está iniciando sua vivência escolar. O autor compara o crescimento pessoal à saída de um cercado proporcionado inicialmente pela família, cercado que a criança vai gradativamente passando, rumo a novas experiências, exigidas por seu desenvolvimento. O importante é entender que a saída do cercado é a um só tempo estimulante e amedrontadora; que, uma vez do lado de fora, é doloroso para a criança perceber que não pode retornar; e que a vida é uma longa seqüência de saídas de cercados, riscos e desafios novos e estimulantes (Winnicott, 1997b, p. 53).

Daí a importância da família e a escola proporcionarem a criança uma boa adaptação a sua vida escolar, dando-lhe segurança nesta nova fase de sua vida.

Passadas as primeiras semanas de adaptação, a criança começa a se interessar em freqüentar a escola e ampliar o seu círculo de relações, apreciando a companhia da(o) professora(o) e de seus colegas. Neste momento, (erroneamente) a mãe/ cuidadores podem sentir que se a criança está interessada  é porque ela não está desempenhando bem as suas funções maternas (pode vir um sentimento de que a escola cuidasse melhor da criança do que a própria mãe/cuidadores).

E provavelmente se a criança antes de frequentar a escola tinha alguma dificuldade em interagir com as pessoas que ela não convive e após a escola, essa interação aconteça com mais facilidade. Você: mãe/ pai/ cuidador poderá ouvir comentários como: é a escola, tá vendo, melhorou tanto depois que está estudando…

O que pode contribuir para reforçar aquela sensação que “talvez você estivesse sentindo silenciosamente de que lá na escola, eles cuidam melhor que você: mãe, pai, cuidadores”.

Sim, estes sentimentos podem vir, afinal é uma fase nova para a criança e também para os pais. Dê espaço para estes sentimentos, não se sinta culpada(o) por sentí-los, reflita e se possível converse sobre eles. E ainda assim continue acolhendo seu filho(a).

Pois quando a criança está passando por esta experiência de adaptação escolar a sua exploração do mundo precisa ser garantida pela possibilidade de retorno, ou seja, precisa saber que ospais/cuidadores estão o aguardando, apoiando e o orientando nestas novas descobertas e conquistas.

Caso contrário, o processo pode parecer arriscado e a criança pode retroceder.

Essa fase é mais uma das várias que seu filho (a) irá trilhar em seu amadurecimento pessoal. Para que você possa ajudá-lo busque tornar-se desnecessária (o) a medida que eles conquistam novos hábitos e saberes. (Ex: comer sozinhos, deixar as fraldas, trocar a roupa, ir a escola etc).

Isso é essencial para preservar a saúde mental e emocional dos pequenos, para que eles cresçam se apropriando de si, podendo tornar-se pessoas, maduras, seguras e capazes.

Psicóloga Liliane Caetano
CRP 06/92453
Consultório Rua general Osório n°62 – Mauá/SP
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Fonte

O início das vivências escolares. Contribuições da obra do psicanalista D. W. Winnicott por Maria José Ribeiro.

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