Um breve histórico…
Hoje eu queria falar com vocês a respeito da neuropsicologia.
Você sabia que Antonio Branco Lefevre foi o patrono e fundador da neuropsicologia no Brasil? Não, então, ele era médico pediatra, graduado também em psicologia, o princípio da ligação entre psicologia e neurologia veio da sua tese de doutorado em 1950. Em 1975 fundou o setor de Atividade Nervosa Superior junto à Clínica Neurológica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e assim se deu o início à característica interdisciplinar de reabilitação de pacientes com distúrbios neuropsicológicos (Fuentes, Malloy-Diniz, Camargo, Cosenza e cols., 2008).
O elo entre psicologia e neuropsicologia foi intensificado entre as décadas de 1960 e 1970, onde os psicólogos foram aprofundar seus conhecimentos no exterior, mais precisamente na França e no Canadá. Devido ao número crescente de neuropsicólogos e o aprimoramento das avaliações e das interpretações neuropsicológicas, o Conselho Federal de Psicologia reconheceu em 2004 a neuropsicologia como especialidade da psicologia.
E foi em setembro de 1988, com a união dos neurologista e professores Noberto Rodrigues e Jayme Rodrigues, ocorreu a fundação da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp), durante o XIII Congresso Brasileiro de Neurologia em São Paulo. Sendo seu objetivo, a difusão das ciências neuropsicológica em nível nacional (Fuentes, Malloy-Diniz, Camargo, Cosenza e cols., 2008).
Você deve estar se perguntando: Qual a diferença entre neurociência e neuropsicologia? Vou descrever de forma simplificada.
Neurociência é o estudo científico do sistema nervoso, envolvendo diversos campos de pesquisa que englobam desde a neuroanatomia, neurofisiologia, neurobiologia, genética, neuroimagem, neurologia, neuropsicologia e psiquiatria.

Já a neuropsicologia é uma ciência com contribuições multidisciplinares, Lezak e colaboradores (1983, 1995 e 2004; apud Malloy-Diniz, Fluentes, Mattos, Abreu e cols., 2010) “ciência aplicada que estuda a expressão comportamental das disfunções cerebrais” (pg. 47). O principal objetivo da neuropsicologia está na investigação das alterações cognitivas mais tênue e estende-se ao campo da reabilitação.
E por fim, o que é Avaliação Neuropsicológica? É uma investigação das funções cognitivas e o comportamento. Consiste na aplicação de técnicas de entrevistas, exames, quantitativos e qualitativos das funções que compõem a cognição abrangendo processos de atenção, percepção, memória, linguagem e raciocínio. (Malloy-Diniz, Fluentes, Mattos, Abreu e cols., 2010).

O processo de avaliação começa por uma entrevista, onde é levantado o histórico do paciente, antecedentes familiares, história da doença atual e o motivo da avaliação, como por exemplo, se é devido à solicitação externa, escola, pediatra, neurologista. Os dados obtidos são utilizados na análise de resultados e interpretação do impacto cognitivo das doenças neurológicas. Na sequência, é selecionado os testes padronizados, as baterias breves ou testes rastreio, a escolha do método irá depender das questões a serem respondidas. Terminado a aplicação dos testes, o neuropsicólogos irá analisar e interpretar os resultados, unindo os dados da entrevista para compor o relatório da avaliação, dando um desfecho para avaliação, respondendo a demanda e a abertura das orientações para reabilitação. E por fim, a entrevista de devolutiva para o paciente e/ou familiar, que consiste na explicação das dificuldades encontradas na vida cotidiana do paciente e orientações e indicações para o acompanhamento futuro.
Quem pode fazer uma Avaliação Neuropsicológica? O Neuropsicólogo e este tem por motivação primordial relacionar as alterações observadas no comportamento do paciente com as possíveis áreas cerebrais envolvidas, atuando com enfoque diagnóstico, seja para a apresentação das alterações cognitivas em certa doença, ou para um diagnóstico diferencial.
Considerações Finais
A Neuropsicologia no Brasil tem aprimorado desde então e está em crescimento, assim, como os métodos de avaliação e os benefícios da neurociência vem se expandidos a cada dia nas diversas áreas do saber.
De acordo com Malloy-Diniz, Fluentes, Mattos, Abreu e cols. (2010), a avaliação neuropsicológica não é um processo de investigação concluído e acabado e tem suas limitações, como qualquer exame.
Portanto, a avaliação neuropsicológica é realizada para auxílio no diagnóstico diferencial, para compreensão do curso da doença e o impacto na vida da pessoa (prognóstico), orientação para o tratamento, tal como pensar na utilização de medicamentos e pensar na reabilitação, ensinar o paciente e seu familiar a lidar com a função cognitiva alterada e utilizar as demais funções que não sofreram alteração.
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Aguarde os próximos textos, onde irei aborda o tema Neuropsicologia Infantil.
Até Breve!
Isis Honorato
Psicóloga 06/92763
Especialista em Neuropsicologia
Idealizadora e Criadora Desenvolvedora da Inovamente Psicologia
Experiência em atendimento a crianças e adolescentes
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