Imagine-se uma criança. Seus pais lhe ofertam duas possibilidades de sabores de sorvete: morango ou chocolate. Qual você escolhe? Há aqueles que sem dúvidas escolheriam o morango e há quem escolheriam chocolate sem pestanejar. Contudo, foi dado o poder da escolha e ao realizá-la, descarta-se a outra oportunidade.

O que pensaria caso gostasse dos dois sabores? Uma escolha difícil de ser tomada, mas espera-se que você a faça. A escolha, por si só, é sinal de abrir mão das outras possibilidades. E como seria se tivesse escolhido o outro sabor? Será que teria sido mais feliz?

Desde que você nasce, é cobrado que se posicione. Quando criança e até mesmo no início da adolescência, você não pensa muito no Projeto de Vida, mas ao aproximar-se da fase adulta, você é tomado de uma pressão: Quem eu sou? Quem eu quero ser? O quê e como vou fazer? Que profissão seguir?

A escolha torna-se difícil, pois se trata do sucesso profissional e pessoal que você almeja alcançar. Levando em consideração que diariamente o desenvolvimento da ciência e da tecnologia tem avançado que o mercado de trabalho procura ‘a pessoa certa pra vaga certa’, que a mãe deseja dar o melhor para seu filho, que a pessoa tem que escolher com quem quer passar o resto da vida, optar pela opção correta se torna imprescindível.

Como fazer então?

1º – É imprescindível conhecer a si mesmo. Desvendar sua própria identidade, reconhecer sua singularidade. Você só consegue assumir um papel na sociedade a partir do momento que você sabe quais são os mecanismos que te deixam seguro para tomar uma decisão.

2º – Compreender o meio em que vive. Freud defendia a ideia de um Eu individual, mas bem sabemos que o individuo é, e somente é, a partir de suas relações, seja ela com a família, escola, trabalho. O Eu é, na verdade, plural! As relações, por exemplo, iniciam antes mesmo de nascer, pelas representações dos pais transmitidas ao filho (O filho já existe antes de nascer.) (Ávila, 2016). Você consegue perceber que o seu Eu torna-se múltiplo, uma vez que é permeado por essas relações? E, portanto, conhecendo-o, sabendo como você interpreta essa multiplicidade, a decisão será tomada mais sabiamente?

Quando ouço “Eu sou LIVRE pra fazer minhas próprias escolhas” eu fico pensando se realmente somos. Calma, não estou dizendo que você não tem personalidade própria, mas que você a constrói a partir das relações mantidas desde o nascimento! Olhando pela perspectiva de que sofremos, diariamente, influências do meio no qual estamos inseridos, e que o Eu é múltiplo, é grupal, essa liberdade, pela perspectiva de Bauman (2009), no livro A Arte da Vida, é quase como uma utopia. O seu Eu depende dessas relações. Para ser liberdade, não poderíamos “experimentar dificuldade, obstáculo, resistência ou qualquer outro impedimento aos movimentos pretendidos ou concebíveis” (p.23).

O Eu está inserido em um meio onde há várias possibilidades de escolha, permeadas pela história, cultura e pelo aspecto social deste lugar. Assim como ele, outros ‘Eus’ também estão construindo esse campo de escolha, sofrendo a interferência deste local.

Enfim, todo dia enfrenta-se a missão de escolher. Desde que se nasce é imposto à necessidade de antecipar manejos de atitudes, escolher, estipular metas. Todo dia ocorrem transformações na sociedade, a ciência e tecnologia se desenvolvem e, portanto, nós também nos vemos na necessidade de crescer. Em meio a tantas opções, possibilidades, como você suprirá o desafio de escolher?

REFERÊNCIA:

Ávila, Lazlo A. O Eu é Plural. In: Ávila, Lazlo A. Grupos: Uma perspectiva Psicanalítica. 1 ed. São Paulo: Zagodoni, 2016.

Bauman, Z. A arte da vida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

Fonte da Imagem: Pixabay.

Psicólogo Otavio Fernandes Macedo

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Colunista Inovamente Psicologia

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