Olá! Vamos conversar um pouco sobre Cuidados Paliativos e como a assistência psicológica pode ajudar os pacientes de doenças que ameaçam a vida e seus familiares. Este tema, geralmente é evitado pelas famílias e até por alguns profissionais da saúde por estar carregado de conceitos equivocados, medos e dificuldades em lidar com a morte e o processo de morrer.

Evitamos falar da morte abertamente, especialmente quando um de nossos familiares se aproxima desta fase da vida, por muitas razões: por não saber o que dizer, pelo medo de perder aquela pessoa tão amada, pela fantasia de que se não falarmos, a morte não chegará. Mas, para o paciente, o silêncio sobre algo que está tão próximo muitas vezes traz a sensação de abandono e solidão.

É muito triste e penoso sofrer de solidão num momento tão delicado da vida e que, além do sofrimento físico que muitas doenças impõem, vários outros sofrimentos aparecem inevitavelmente, como os questionamentos sobre o que se fez na vida, os conflitos familiares ainda pendentes, a fé, a esperança ou a falta dela. Diante de tantas perguntas, confusões acerca de como agir e do quê pensar sobre o futuro, o atendimento psicológico traz grande ajuda e alívio.

Mas, afinal, o que são os tais Cuidados Paliativos?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “Cuidados Paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”.

Perceberam como é ampla esta definição? Analisando um pouco podemos notar que não se trata de “Não há mais nada a se fazer pelo doente”, ou de “Manter apenas hidratação e alimentação”. Ao contrário! Quando alguém está passando por uma doença difícil que ameace a vida, há MUITO o que fazer, desde o diagnóstico até a morte e depois, com o suporte familiar.

A equipe de Cuidados Paliativos pode começar a atuar desde o diagnóstico de, por exemplo, câncer, doenças neurológicas (Demências, AVCs com sequelas, ELA*), AIDS, entre tantas outras doenças crônicas que ameacem a vida, oferecendo um trabalho integrado de cuidados que vão desde o controle da dor e desconfortos físicos, passando pelas questões de equilíbrio emocional frente ao adoecimento, ressignificação de valores e da própria vida, reestruturação familiar até o conforto espiritual. Esses cuidados acompanham o doente e sua família durante toda a história da doença, trabalhando em conjunto com os tratamentos que visam curar ou apenas minimizar os sintomas desta, e tornam-se mais intensos nos casos em que o doente inicia o processo de morte.

O cuidado psicológico nestas situações, inclui tanto o paciente como seus familiares mais envolvidos e pode ser realizado em diversos lugares como na casa do paciente, no hospital durante uma internação ou para acompanhamento de algum procedimento ou mesmo em consultório, dependendo das condições de mobilidade da pessoa. O psicólogo acompanha o paciente e seus familiares durante todo o percurso da doença e está disponível para ajudar nas decisões importantes a cada fase da evolução desta. Também é papel do profissional participar das conversas com os médicos responsáveis no intuito de facilitar a comunicação e compreensão das condutas médicas, muitas vezes traduzindo termos técnicos para que a família e o paciente se sintam seguros para tomarem decisões junto com a equipe.

É importante deixar claro que, apesar do cuidado psicológico incluir paciente e família, o profissional deve manter o sigilo e privacidade das conversas com cada pessoa envolvida, lembrando que o respeito ao outro é fundamental em todas as ações de saúde e, em especial, na psicologia.

Espero ter tirado algumas das principais dúvidas sobre o tema e, se você estiver passando por uma fase de adoecimento, não tenha vergonha de pedir ajuda. Você não precisa enfrentar este momento sozinho! Converse com seu médico sobre cuidados paliativos e procure um psicólogo especializado.

*Esclerose Lateral Amiotrófica

Psicóloga Heloisa Kizys,

CRP 06/103009, especialista em Cuidados Paliativos.

São José do Campos

Imagem: Google

Postado em , Blog, Saúde e Bem estar e marcada , . .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*


Site de Psicologia