Qual é a melhor herança que podemos deixar às nossas crianças e jovens?

O processo de desenvolvimento psíquico de crianças e adolescentes se faz e se sustenta sobre a base: família.

Independente da constelação que uma família possua, a relação entre pais e filhos, irmãos, avós e pessoas que pertençam a um núcleo familiar, quando construída e feita por meio de uma vivência afetiva, possibilitam a construção de uma família integrada, com membros que se sentem pertencentes aquele núcleo, sentimento esse de pertença que é fundamental para o desenvolvimento de pessoas emocionalmente saudáveis.

Educação é um tema profundo e complexo, inúmeros são os estímulos necessários para o desenvolvimento e processo educativo de crianças, assim como a complexidade de aspectos e variáveis a serem considerados, mas nesta breve reflexão me concentrarei na afetividade como um caminho para construção de vínculos afetivos saudáveis.

Todo ser humano deve, e merece, receber referências de amor e limite. O limite nos faz crescer. O amor é a própria vida. Crianças e adolescentes dependem de adultos que representem de maneira consciente, e consistente, esses dois valores cruciais para o seu desenvolvimento.

Para representarmos de maneira consistente o limite, é preciso que sejamos coerentes com aquilo que dizemos e passamos como ensinamento. É crucial que exista uma correspondência entre aquilo que falamos e o que realmente fazemos, mesmo porque grande parte do que as crianças e adolescentes têm como exemplo, foi adquirido por observação, dos nossos próprios comportamentos.

Outro aspecto importante, no que se refere aos limites é a representação da autoridade que é exercida por parte dos adultos em relação às crianças e adolescentes no processo educativo. Que essa representação de autoridade, que estabelece limites e que detém o saber, não se confunda no seu exercício de educar fazendo uso do autoritarismo. Muito pelo contrário, que nós adultos consigamos ser sábios, corajosos e humildes de nos questionarmos, de aprendermos com as crianças e adolescentes, de nos desculparmos quando falharmos com eles, de expressarmos vez em quando diante deles os nossos anseios e dificuldades. Isso favorece que eles compreendam que a natureza humana também é passível de falhas, conflitos e fragilidades, o que no futuro vai favorecer que compreendam a si mesmos e por consequência compreendam a realidade das outras pessoas, se tornando adultos que desenvolveram a empatia e se relacionam de forma humanizada.

As crianças e os jovens necessitam da nossa presença acompanhando o desenvolvimento de seu psiquismo, e igualmente precisam que nós encontremos tempo para que eles verdadeiramente também façam parte de nossas vidas.

Na convivência com nossos queridos, construímos um espaço e tempo de intimidade que nos proporciona momentos de profunda identificação, vivência de processos e aprendizados em comunhão e descoberta de familiaridades.

Identificações essas que podem ser descobertas em coisas simples ou em semelhanças de caraterísticas pessoais e experiências em comum. Essa familiaridade acaba por se tornar um facilitador para diálogos futuros com nossos jovens. Certamente essa proximidade proporcionada pelo convívio e troca de experiências, facilitará que eles nos procurem para conversar ou pedir ajuda quando se encontrarem em situações delicadas. Estando atentos a dificuldades que possam estar enfrentando em algum aspecto de suas vidas, de modo a instruí-las e apoiá-los de acordo com suas necessidades, reduzimos riscos de desenvolverem problemas psicológicos.

Ao oferecermos às crianças um ambiente familiar que corresponde às suas necessidades, que oferece condições suficientes ao seu desenvolvimento saudável, compreendendo o valor e importância do brincar e da expressão criativa dos seus anseios e percepções da realidade através do lúdico, estamos as estimulando para que cresçam e se desenvolvam enquanto adultos capazes de compreenderem as próprias emoções e de se perceber em relação as suas verdadeiras motivações, principalmente quando estiverem diante de anseios, incômodos e dificuldades, para assim conseguirem fazer as melhores escolhas em relação a esses sentimentos.

É a educação que deseja ver crianças tornarem-se adultos autônomos, que se sintam livres para escolher dentro daquilo que lhe faz sentido, com pensamento crítico e consciente em relação a si mesmos e a realidade. Adultos maduros e portanto sadios.

Quem aprendeu a cuidar de si mesmo por meio da amorosidade, provavelmente aprendeu também a cuidar dos que estão a sua volta e da comunidade onde vive.

Esse investimento afetivo em relação às nossas crianças e adolescentes é o que nos ajudará a deixar um mundo melhor para eles? Ou fará deles melhores para o mundo?

Fontes de pesquisa:

MICHELI, Denise Da; SILVA, Eroy Aparecida. Adolescência, uso e abuso de drogas: uma visão integrativa. São Paulo: Editora Fap-Unifesp, 2011.

WINNICOTT, Donald.W. A família e o desenvolvimento individual. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 4ª Edição, 2011.

Psicóloga Tatiana Haidar Pacifico

CRP: 06/87752

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