Gostaria de começar esse texto refletindo sobre o que é Acolhimento.

Essa palavra tão bonita e carregada de significado tem sua origem no Latim ACOLLIGERE, que significa reunir ou juntar.

Quando uma pessoa busca pelo suicídio é sinal que todos os seus sentimentos, emoções, dores, estão despedaçadas, soltos, desorganizados, bagunçados, triturados, sem cor, sem vida, sem energia e tudo isso ocupando no peito um grande vazio.

É uma angústia pautada onde nada parece ter sentido e uma dor existencial que não passa nunca e tem grande intensidade.

Infelizmente a pessoa que pensa no suicídio é vista como aquela que dá trabalho, a que tem frescura, a que é louca e que não tem o que fazer e ainda só está querendo chamar a atenção.  Esse é o pior pensamento que podemos ter em relação a essa pessoa.

Suicídio não é loucura, não é frescura.

Dar foco no acolhimento desse sofrimento existencial fará muita e toda diferença no atendimento da pessoa suicida. Reunir e juntar os cacos são tarefas que exige disponibilidade, atenção e nenhum julgamento.

Acolher é legitimar e validar a dor do outro, acreditando que sempre podemos fazer algo pela pessoa, esse é outro fator importante. É levar em consideração e recolher juntos os pedaços quebrados nessa vida. É desenvolver a capacidade de perceber que é isso que vai dar mais valor à sua existência.

Hoje no mundo, segundo dados OMS, 2014 – mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida no ano e é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos.

Também segundo a OMS, 2014 – no Brasil os números são assustadores mais de 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano em média e é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Por isso precisamos falar muito ainda sobre esse tema que é um Tabu.

Para prevenir e para mudar, é preciso falar e esgotar o assunto ao máximo.

Especificamente o mês de setembro, é dedicado a Campanha Setembro Amarelo, mês da prevenção do suicídio.  No entanto, essa campanha é válida para o ano inteiro.

Sendo, assim gostaria de enfatizar alguns sinas diretos e indiretos  que servem como alerta para prevenirmos o suicídio, acolher a pessoa em sofrimento e salvar vidas.

Sinais de Alerta – o que fazer?

Boa parte das pessoas dão sinais de sua intenção e é mito acreditar que essas pessoas estejam apenas querendo chamar atenção. Ninguém é realmente capaz de prever com exatidão quando a pessoa irá se suicidar, mas o risco pode ser estimado, segundo a própria OMS

Alguns sinais diretos e indiretos do pensamento e desejo suicida:

  1. Desejo de vingança.
  2. Isolamento de amigos, familiares e eventos sociais.
  3. Aumento no uso de álcool e outras drogas em geral.
  4. Fazer testamento.
  5. Colocar documentos, gavetas, coisa de modo geral em ordem.
  6. Súbito interesse ou desinteresse em religião.

Desejo de vida e morte: a pessoa que busca o suicídio é ambivalente. Ou seja, existe uma vontade imensa de sair daquela dor, mas também quer sobreviver a essa dor.

Impulsividade é outra grande característica.  Muitas vezes desencadeado por eventos negativos. Esse impulso pode durar horas ou minutos. Mas é passageiro. Situações como perda de entes queridos, recriminação, rejeição, situações de abuso físico ou psicológico podem desencadear todos os componentes.  Acolher com muita empatia, irá ajudar a diminuir muito a crise e o desejo. É nesse momento que vemos a crise com uma oportunidade de acolher e respeitar, mas de dizer também que não se concorda com essa possibilidade. Ao fazermos isso, potencialmente já estamos acreditando na vida dessa pessoa e nesse momento buscamos encontrar vida numa dessas fissuras da dor.

Rigidez: a pessoa que pensa no suicídio como possibilidade não consegue encontrar sozinha qualquer saída. Suas decisões e pensamentos são circunscritos, rígidos e dentro de suas dores imaginam e acreditam que não há como sair daquele sofrimento emocional. Não existe flexibilidade. Neste aspecto demanda muita atenção, respeito e acolhimento a essa dor existencial, profunda e intensa.

A pessoa que procura pelo suicídio apresenta muito Desespero, se sente desamparada e muita Desesperança. Inclusive, esses são os 3 D´da cartilha da Associação Brasileira de Psiquiatria de 2014.

Notando qualquer sinal, o mais importante é perguntar de forma educada e respeitosa, se a pessoa está pensando em suicídio.

Acolha e não julgue e tenha uma escuta atenta e presente.

Informe sobre onde procurar ajuda.

Mostre afeto e ofereça carinho se for possível.

Onde procurar ajuda?

Caso você ou alguém que você conheça, precise de ajuda, ligue 188 ou pelo Site do CVV – Centro de Valorização da Vida. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. Além disso, procurar ajuda de um profissional, como psicólogo ou psiquiatra é fundamental.

Se você tiver qualquer dúvida, envie por E-mail ou seu comentário.

Psicóloga Adriana Maximina Volsi

CRP: 06/65990

Especializanda em Gestalt –terapia pelo IGSP ( Instituto de Gestal-terapia de São Paulo)

Instagram:_psi_adrianamaximina

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