“Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.” Millôr Fernandes

Então, se não tivessem inventando essa maldita tecnologia não teríamos descoberto essa triste verdade. Estava tudo bem, seguíamos nossa vida sem maiores problemas, nos comunicando do jeito que dava, com ruídos e interferências, mesmo estando fisicamente na relação. Um com certeza que falou, o outro afirmando que entendeu, e assim caminhava a humanidade.

Tinha problemas nos relacionamentos e na comunicação? Tinha, mas nada que um sorriso, um tapinha nas costas ou uma piscada de olho, tudo isso embasado em compreensão e tolerância, não resolvia. Agora, graças a maldita tecnologia, relacionamentos são rompidos, amizades são encerradas, empregos são perdidos e notícias falsas maculam algumas imagens. É, se não fosse essa maldita tecnologia isso tudo não aconteceria, certo? Não! Sabe porquê? Os aparelhos não se movem sozinhos, precisam de alguém que faça essa ação, portanto, o agente da ação de tudo isso é quem está por traz dos aparelhos, ou não? Será que então não está no momento de deixarmos de terceirizar as responsabilidades das ações, e as assumir efetivamente? Até por que, quanto menos o fizermos, mais presos ficamos, pois é uma luta constante e cansativa, para encontrarmos justificativas, para as ações que são de responsabilidade dos outros, e claro jamais nossa!

Será que é por isso, que as pessoas estão tão cansadas/esgotadas?

Bem, vamos refletir! Até quando vamos terceirizar a autonomia da vida, e ficarmos nos vitimizando quando as coisas não saírem segundo nossas idealizações, ou quando as relações não forem boas e os conflitos relacionais se perpetuarem sem solução, com todas as soluções no mesmo lugar que foram criadas: em nós?

Muito obrigada, bendita tecnologia, por nos levar a tão significativa reflexão!

Psicóloga Isabel Lucas

Especialista em Medicina Comportamental

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